Espaço Ana Gil – por uma vida sem dor – Atendimento interdisciplinar de excelência

Falamos com frequência sobre a importância de “ouvir o corpo”. Porém, pouco se discute que o corpo também escuta. Ele capta não apenas sinais físicos, mas também estímulos emocionais, estados mentais e até as narrativas que repetimos diariamente.

O corpo escuta as pressas.
Escuta os silêncios que viram tensão.
Escuta as pausas que não damos.
Escuta as emoções que tentamos esconder.
E escuta, sobretudo, aquilo que declaramos — inclusive nos dias difíceis.

Durante a primeira consulta de uma paciente, após diversas tentativas frustradas de tratamento em outros lugares, ela desabafou:

“Dra., eu tô exausta. Nada parece funcionar pra mim. Acho que vou desistir e viver com a dor.”

Esse tipo de relato, comum na prática clínica, revela algo que aprendi ao longo de 23 anos de experiência: o corpo fala, mas também escuta.

Quando vivemos estados de pessimismo, ansiedade, desesperança…
Quando repetimos frases de derrota…
Quando acreditamos profundamente que “nada funciona”…
o corpo responde. Ele acompanha a narrativa. Aumenta tensão, amplifica o alerta, torna-se mais sensível ao estímulo doloroso.

Essa relação não é metafórica. Há um conjunto crescente de pesquisas mostrando que fatores emocionais, crenças e atitudes influenciam diretamente a percepção da dor e a forma como o sistema nervoso processa estímulos. Estudos recentes reforçam que o estado emocional pode modular a sensibilidade dolorosa, potencializar quadros crônicos e impactar a resposta ao tratamento (Liu et al., Journal of Pain Research, 2022; Borsook et al., Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2022).

Não se trata de “culpa” ou falta de esforço. O corpo não decide “não melhorar”.
Ele simplesmente responde ao ambiente interno — aquilo que pensamos, sentimos e repetimos para nós mesmos todos os dias.

Por isso, tratar dor vai muito além de técnicas, exercícios e protocolos fisiológicos. É também sobre o diálogo interno que a pessoa alimenta. Sobre esperança, percepção, comportamento e o entendimento de que o corpo acompanha não só movimentos, mas significados.

Cuidar da dor é, também, aprender a falar com o próprio corpo da mesma forma que esperamos que ele responda: com clareza, respeito, paciência e confiança no processo.

O corpo escuta o tempo todo.
A pergunta que fica é: o que você tem dito para o seu?

Dra. Ana Gil – Fisioterapeuta e CEO do Espaço Ana Gil