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Fisioterapia14 de outubro de 2026

Outubro Rosa: você está na sua lista de prioridades?

Olhando para essa foto minha com minha filha, me peguei pensando em nós duas como mulheres. Ela tem 22 anos, está prestes a se formar em Administração, já é empresária e está construindo a própria história. E eu, que ainda me lembro de tantos momentos dela criança, percebi como o tempo passa rápido.

Pensei também em algo que, como mulher, mãe e fisioterapeuta, vejo com muita frequência tanto no consultório, quanto com amigas, familiares, parceiras de trabalho. Nós, mulheres, somos muito boas em cuidar. Cuidamos dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho, dos negócios, das pessoas que amamos. Resolvemos problemas, organizamos a vida de todo mundo e, muitas vezes, vamos deixando a nossa própria saúde para depois. Até que o corpo começa a cobrar.

Outubro Rosa é mais do que exame de mama

Estamos no Outubro Rosa, e é claro que é importante falar sobre a saúde das mamas, prevenção e a importância de fazer os exames e conhecer o próprio corpo. Mas acho que também podemos aproveitar esse momento para lembrar de algo maior: a saúde da mulher não se resume às mamas.

É também sobre o sono que não está bom há meses. Sobre aquela dor que você aprendeu a conviver. Sobre o cansaço que parece não passar. E a alimentação, movimento, saúde emocional, hormônios, postura, prevenção e tantos outros sinais que o corpo dá, e que a gente aprende a ignorar.

O cuidado se transforma em cada fase, mas nunca deixa de ser essencial

Essa lista muda ao longo da vida. Na adolescência, é aprender a reconhecer o próprio corpo. Na maternidade, é lembrar que cuidar dos filhos não significa deixar de cuidar de si mesma. Na vida adulta corrida, é o sono, a postura e a dor que vão ficando para depois, entre uma responsabilidade e outra. E, mais à frente, na perimenopausa e na menopausa, é lidar com mudanças hormonais que pedem ainda mais atenção ao corpo e à mente. A fase muda, a forma de cuidar muda, mas a mensagem é sempre a mesma: autocuidado não é uma etapa opcional em nenhuma delas.

E isso não é só percepção, a ciência confirma essa conexão. Um estudo que acompanhou mais de 60 mil pessoas ao longo do tempo encontrou um risco até três vezes maior de desenvolver dor em quem vinha dormindo mal. Uma revisão de vários estudos mostrou que a prática regular de atividade física reduz a intensidade da dor em quadros crônicos, além de melhorar a função do corpo no dia a dia. E uma análise de estudos sobre alimentação encontrou menos dor, e menos interferência da dor na rotina, entre quem mantinha uma dieta de melhor qualidade. Sono, movimento e alimentação não são só hábitos de bem-estar: eles têm relação direta com o quanto o corpo dói, ou não.

Não espere o corpo pedir socorro

Talvez uma das coisas mais importantes que eu possa ensinar à minha filha, e também lembrar às mulheres que passam por aqui, seja justamente essa: não espere o corpo pedir socorro para começar a cuidar dele.

Se coloque na sua própria lista de prioridades. Não por egoísmo, mas por responsabilidade com a sua própria vida. Porque queremos estar presentes para cuidar de quem amamos por muitos e muitos anos. E, para isso, também precisamos aprender a cuidar de nós.

Referências científicas

  • Afolalu EF, Ramlee F, Tang NKY. Effects of sleep changes on pain-related health outcomes in the general population: a systematic review of longitudinal studies with exploratory meta-analysis. Sleep Medicine Reviews. 2018;39:82-97. doi:10.1016/j.smrv.2017.08.001
  • Geneen LJ, Moore RA, Clarke C, Martin D, Colvin LA, Smith BH. Physical activity and exercise for chronic pain in adults: an overview of Cochrane Reviews. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2017;4:CD011279. doi:10.1002/14651858.CD011279.pub3
  • Field R, Pourkazemi F, Turton J, Rooney K. Dietary interventions are beneficial for patients with chronic pain: a systematic review with meta-analysis. Pain Medicine. 2021;22(3):694-714. doi:10.1093/pm/pnaa378
Foto de Dra. Ana Gil

Escrito por

Dra. Ana Gil

Fisioterapeuta · Diretora do Espaço Ana Gil

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